NA LUZ A PRUMO
Se as mãos pudessem ( as tuas,
as minhas ) rasgar o nevoeiro,
entrar na luz a prumo.
Se a voz viesse. Não uma qualquer:
a tua, e na manhã voasse.
E de júbilo cantasse.
Com as tuas mãos, e as minhas,
pudesse entrar no azul, qualquer
azul: o do mar,
o do céu, o da rasteirinha canção
de água corrente. E com elas subisse.
( A ave, as mãos, a voz.)
E fossem chama. Quase.
Eugénio de Andrade in, Os Sulcos da Sede
mandas de novo?
beijo